Depois de um ano morando em Viçosa-(MG), consegui alcançar meu principal objetivo: passar no coluni. Seis meses de estudo. No começo, fraco, sem muito entusiasmo afinal, ainda faltavam quatro meses para a prova.
Conforme o tempo foi passando... Três, dois... UM mês para a bendita prova, as coisas ficaram mais complicadas. O estudo do colégio já não tinha mais importância. As aulas começavam às sete da manhã. Geralmente esse era o horário que eu acordava. Ou melhor, minha mãe me obrigava a levantar.
Meus dias começaram a ficar mais curtos: o colégio era apenas mais uma platéia de como eu estava começando a ficar louca. A apostila do cursinho Filadélfia (propaganda, oi. MELHOR CURSINHO PRÉ-COLUNI EVER) era meu material escolar. Acho que quando estudo demais fico paranóica.
Depois do colégio, casa. Depois de casa, cursinho. Depois do cursinho, biblioteca da UFV. Estudar na biblioteca é a melhor forma de aprendizagem. O lugar é confortável, se eu pudesse, poderia até dormir lá. No caso eu posso, ela não fecha durante a semana.
Resumindo todo esse post, eu estudei que nem um jegue durante dois meses.
Um dia antes do exame de seleção, estava tendo um dilúvio em Viçosa. Cheguei no colégio molhada da cabeça aos pés, literalmente. Tive que tirar o tênis pra torcer a meia. O material escolar em minha mochila estava ensopado. Isso me deixou muito furiosa. Prova de química. Subi para a minha sala bufando. Joguei tudo no chão, as pessoas começaram a olhar pra mim. Todos os meus pensamentos e sentimentos começaram a se confundir. Raiva pelos meus materiais molhados, tristeza por estar sentindo raiva, angústia por ter percepções ruins, como as descritas anteriormente e, finalmente, estava muito nervosa com a prova que iria acontecer no dia seguinte.
Fiz a prova de química como uma atividade qualquer. Sim, aquela atividade que você sabe que pode tirar as dúvidas com um colega e corrigir quando a professora a corrigisse. Balanceei tudo errado. Olhei para as cinco últimas questões: estequiometria. Logo pensei “Essa é a matéria que a professora estava explicando enquanto eu estudava geografia, história, biologia?” Com mais raiva ainda, levantei e entreguei a bendita folhinha pra Priscila (professora de Bioligia).
Desci as escadas. Lá em baixo encontrei a PamPam, Naila e Renan. Joguei minhas coisas em cima do banco em que as meninas estavam sentadas, postei-me atrás de Renan e, quando encostei o rosto no ombro dele, todas as emoções descritas acima se misturaram em uma verdadeira cachoeira de lágrimas. Sim. Comecei a chorar feito bebê no meio do colégio. Pâmella me chamou para um canto, querendo saber o que aconteceu. O professor de literatura (Tio Fernaaaaaando), saiu da sala em que estava aplicando prova querendo saber o que aconteceu (fofoqueiro), eu, a muito custo consegui falar que não aconteceu nada. Mais difícil ainda foi conseguir falar pra Pam que eu estava nervosa com a prova. A concorrência estava 12 candidatos por vaga.
Só sei que no dia seguinte, eu acordei como se fosse um sábado qualquer. Assisti desenho, fiquei no MSN, joguei Colheita Feliz. (Assistindo a maior diarréia mental já criada, o Big Brother)
Chegou a hora da prova, fui andando tranquilamente até o PVA (Pavilhão de Aulas I, na universidade).
Já dentro das salas, o garoto que sentava do meu lado estava muito nervoso, eu percebi. Comecei a puxar conversa. Perguntei se era o primeiro ano que estava tentando o coluni, se ele era de Viçosa. Ele respondeu que não, tinha vindo da cidade Rio Paranaíba (ainda chamo de Rio Parnaíba), a sete horas daqui. Depois perguntei seu nome: Adriano Vítor. Dei minha barrinha de cereal para ele. No dia seguinte, pedi MSN, Orkut. Depois de uns dias, já o tinha no Lastfm, Twitter e outras coisas mais. É o meu mais novo amiguinho.
O segundo dia de prova foi mais tenso. Questões abertas e redação.
Só sei que depois disso eu ainda tive prova no colégio, segunda feira. Ainda tive aulas até dia dezoito de dezembro, mas quem disse que eu fui? Me aposentei (vírgula) desta vida de sofrer em aulas.
Os dias começaram a passar mais devagar. Quando é que iria sair o bendito resultado?
Todos os dias eu olhava no site da COPEVE (Diretoria de Vestibular e Exames). Até uma vez em que eu estava olhando o orkut de uma amiga e no scrapbook dela tinha: “Ana Carla passou também.” Ah. Nessa hora eu fui no site do COLUNI ver se tinha saído o resultado. Pedia o CPF do aluno. Coloquei o meu lá. E, SURPRESA: Deu como inscrição inexistente. Comecei a chorar.
UM ANO INTEIRO LONGE DA MINHA TERRA (Gugu), DOS MEUS AMIGOS, DA MINHA FAMÍLIA, COMENDO LIVRO, PRA ESSA CAMBADA DE FURIBUNGO DIZER QUE EU NÃO FIZ MINHA INSCRIÇÃO?
Saí tremendo pela casa procurando meu comprovante de inscrição. Foi a maior luta que eu travei na minha vida: Eu tentava enxergar o caminho, mas as lágrimas não deixavam. Eu tentava achar o comprovante por dentre os livros, mas minhas mãos não me compreendiam. Eu tentava engolir a saliva que já se acumulava na minha boca, mas minha garganta tinha se fechado totalmente.
(Sim, o coluni é uma pressão psicológica TENSA).
Consegui encontrar o papelzinho dentro da bolsa que eu fui para a prova. O CPF era o mesmo que eu estava colocando lá no site! Então, o que é que há de errado? Não passei. Chorei ainda mais.
Foi aí que pensei: O mais inteligente é ir ao site da COPEVE. Fui lá, e tinha um tópico gigante: RESULTADO DO EXAME DE SELEÇÃO COLUNI 2010. Fui lá, coloquei o número do documento já citado acima, e uma página se abriu:
Candidato: Sofia Luz Andrade Barreto
Exame: COLUNI 2010
CPF “” RG “”
Situação: CLASSIFICADO.
PQP. Realmente? Minha reação foi gritar, bater o pé no chão pro’s meninos barulhentos do apartamento de baixo pensarem que o teto ia cair. Depois me joguei no tapete, chorando, bagunçando tudo.
Imprimi a página, desliguei o monitor do PC, saí correndo pelas ruas atrás da minha mãe (que estava no cursinho pré-vestibular). De lá, saí correndo pro ex cursinho dizer que passei. Já no calçadão, vi um colega levando trote.
Meu erro: ter parado.
Sofia: “JULINHO, VOCÊ PASSOU?”
Julinho: “SIM, E VOCÊ?”
Sofia: “SIM”
Julinho: “GALERA, OUTRA AQUI QUE PASSOU”.
E lá se foi minha progressiva.
Mas pra que pensar em progressiva? Dane-se. Agora estou estudando na melhor escola Pública Federal do Brasil, e a terceira melhor do país.