segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Realidade

  Sentado em sua poltrona Pedro Miranda refletia. Melhor dizendo, se perdia.
  Cada profundo suspiro fazia com que voltasse a sentir seu corpo físico ali, estático.
  Esquecendo-se da respiração, voltava à viagem. Devaneava, de olhos abertos, com o momento em que seus lábios tocavam os da sua amada.

  Ah... Como eram doces os lábios!

  Cada toque era como uma tragada em um vinho doce, forte. A embriaguez lhe vinha de tal forma a libertar seu ser de qualquer impedimento.

      Seus braços envolviam
      Os dedos tamborilavam,
      As pernas se cruzavam,
      Os olhos se fechavam, 
      As bocas se comprimiam, deleitosas. 
      
      Suspirava...

  E novamente via-se puxado ao corpo. Mas por pouco tempo, pois os lábios imaginários procuravam avidamente pelos seus.

  E assim, no mundo das ideias, passava todos os dias Pedro Miranda.

  Esquecendo-se da razão e da realidade.

  Não, não, não. A razão e a realidade, para Pedro Miranda, estavam naqueles inexistentes lábios. Sentir o corpo estático na poltrona era apenas um vil pesadelo – passageiro – que lhe tirava, por alguns instantes, da sua verdadeira morada.  

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Garçom


                Garçom, por favor
                Traga-me três dedos de um uísque vagabundo e seu pior paieiro
                Hoje quero afundar

                Garçom, volte aqui
                O uísque acabou e o paieiro virou ar
                O que eu faço para isso parar?
               
                Garçom, mais seis dedos
                Uns três cigarrinhos, por favor
                Quase que senti um estupor

                Garçom, traz o restante da garrafa
                E mais outro maço
                Pois sou apenas um fiasco
                Do que outrora fora um penhasco
                              
                Garçom, meu amigo
                Deixa eu te falar
                Você é uma pessoa a se considerar

                Garçom, ei, volte aqui
                Deixa eu te contar
                Não consigo mais criar
                Não consigo mais voar

                Não me deixe, garçom
                Da mesma forma que elas me deixaram
                Me abandonaram
                Me desprezaram

                Volte aqui
                Eu não terminei de falar!
                Estás também a me desprezar?
                Não faça isso, garçom.

                Não imite minhas vagas lembranças
                Minhas vagas esperanças
                Das memórias que insistem em viajar
                E nunca mais voltar.
               
                

     Este tal texto desesperado veio de um ser chamado Pedro Miranda. Acabo de encontrá-lo desesperado dentro de mim.

domingo, 22 de dezembro de 2013

"Fabricagem"


Quando anilina e café combinam para formar a
representação de um dos seres mais saborosos
(e esplendidamente inteligentes )
dos oceanos.


sábado, 21 de dezembro de 2013

Produtividade


Quem dera eu fosse uma fábrica
Produziria milhares de gravuras
De figuras e de fulguras

Só para poder expressar
Desfigurar
Afigurar
Imaginar





Sofia Barreto

Sopé


Quentes sonhos
Quentes lábios
Quentes adornos
Adornados pelos contornos

Quentes sensações 
Quentes emoções
Tentadas pelas inquietações



Ou pelas aquietações?


Sofia Barreto

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Adi/vinhando o Futuro

     Um dia, quando a noite me convir, chamarei vinheiros e vinharemos a noite inteira, escrevendo coisas à base de vinho.
     E sonharemos vinhetas.



domingo, 16 de junho de 2013

Um prestes à insanidade.

                Você.
                É, você mesmo.
                I have no idea what I am doing/thinking/feeling, but …
                Estou prestes a explodir.

                Prestes a morrer engasgada.
                Prestes a cair em prantos.
                Prestes a perder a razão.
               
                Prestes a fazer tudo.
                Mas sem fazer nada.
                E tão rápido...

                Tão rápido... 

domingo, 2 de junho de 2013

O que eu tenho (quase) a dizer sobre entranhas

Queria escrever algo sobre “entranhas”.
 Mais especificamente sobre o ato de se “entranhar”.
 Mas não “entranhas” tripas, intestinos. Nem “entranhar”, introduzir, cravar profundo nas entranhas.
Queria escrever algo sobre a profundidade com que nós estamos entranhados nas entranhas do nosso próprio ser. Ou pelo menos como gostaríamos de estar.

 Mas não consigo. Já escrevi algumas coisas de autoajuda e nada se ajusta ao meu pensamento. Acho que as minhas entranhas não querem se fazer "extranhas".


               
" Estarmos entranhados nas nossas próprias entranhas... Algo como estar em “uno” com o corpo e a mente, com os gostos. E os gostos refletidos das entranhas para as “extranhas”."
                         
hã?
                                              

秦基博 (Hata Motohiro)


Aquele que tem o poder de me acalmar. Sempre.




domingo, 19 de maio de 2013

A arte de querer escrever e ficar com os dedos engasgados

O que eu tenho a dizer sobre algo que você provavelmente não entenderá


                Repentinamente,
                encontros desencontrados se encontram
                Algo dormente desperta

                Euforia, coração palpitando
                Lânguida espera
                E esperando.

                Dia, hora, lugar, espaço.
                Olhos pra cá, olhos pra lá.
                Rondando, onde, quando, cadê?
                Desista.

                NÃO!
                Não desista.
                Sôfregos olhos avistam.
                Desisti.


                                      Sofia Barreto

quinta-feira, 16 de maio de 2013

O que eu tenho a dizer sobre essas coisas

     macias, crespas, pentelhadas
     pretas, amarelas, brancas
     aparadas, espetadas, disformes
     abundantes, falhas, modeladas
     austeras, brincalhonas, selvagens
     alarmantes, aconchegantes, convidativas.
     Barbas.


 Sofia Barreto

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Reinício e Comprometimento.

     Ser desorganizada é um trem difícil. 
    Um dia digo que postarei frequentemente e só volto dois anos depois pra falar alguma coisa meio sem sentido. 
     Pois digo agora, comprometendo-me em vias públicas, que farei pelo menos uma publicação por semana aqui no coffee with frogs. 
     Como minha cabeça está cheia de besteiras e coisas meio "sem-noção", provavelmente existirão posts sem sentido ou um tanto quanto estranhos. Anyway. Blog é pra por opiniões e sentimentos pra fora, então está tudo dentro dos conformes.
   Estava pensando, junto com a Giovanna Venturini, dona do lindíssimo blog http://peripeciasquaisquer.blogspot.com.br/, em fazer textos semanais sobre algum tema aleatório. Falta apenas colocarmos em prática o que foi planejado e já começo a postar os textos tematizados. 
     
     Então é isso. E obrigada, pessoas sapísticas que vem aqui. É sempre bom ver que tem gente bisoiando palavras soltas. :3

Pequenos prazeres.

      Pra quem sente que a vida é difícil, cheia de pesares, imperfeições e desamores: 
     Tome alguns bocados de água - bocados bem generosos - e espere ficar com vontade de fazer xixi. E prenda. Prenda o máximo que conseguir. 
       Depois vá ao banheiro e sinta-se a pessoa prazeirosamente mais feliz e aliviada do mundo. 
       

quarta-feira, 1 de maio de 2013

"Pena Prisma" concreta.

     Esse é o desenho mais tristemente agonizante que saiu de mim.





"Pena Prisma"

     Há algum tempo comecei a perceber que os meus desenhos, quando retratam rostos humanos, sempre possuem expressões tristes. 
     Comecei a me perguntar o porquê disso.
  Sempre acreditei que os desenhos que fazemos são o reflexo do nosso interior, do nosso subconsciente.           Então, se a marca que eu deixei no papel se mostra angustiante, triste, é porque o meu eu está explodindo este sentimento.    

     E, um dia, achei um poema que mais ou menos retratava isso:


Pena Prisma

A lira é triste 

Porque triste está a vida do poeta
Mas se um feixe de luz 
Invade a casamata
E dá cor ao quadro 
Antes monocromático
A pena que escreve a lira triste
Há de ceder
Aos contornos da pintura

Julio Satyro



     Então, enquanto o feixe de luz não invade a casamata, continuemos com a lira triste.
     

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Coluni, a psicose: Primeiro Ano.

     Primeiro ano, entrada no ensino médio. 
     Comigo foi diferente, já que eu já tinha feito o primeiro antes de ser aprovada no coluni. Lembro bem da roupa que que fui no primeiro dia de aula: uma blusa de caveira (que tenho até hoje), uma calça jeans e bota All Star Skull Piercing.
     Olhar para a expressão dos meus colegas era o mesmo que olhar para a minha própria expressão: deslocamento. Ninguém conhecia ninguém. Ninguém sabia quem era ninguém. Se era legal, se era chato, se era inteligente, se era interessante... Ninguém fazia a mínima ideia de nada. 
     Mas o entrosamento logo acontece: todo mundo começa a contar as histórias de vida da sua cidade, da antiga escola. Pouco a pouco os grupos de interesse vão se formando. Grupos de interesse e amigos que levaremos para a vida toda, diga-se de passagem.
     Depois de começar a se acostumar com as aulas cheias de conteúdo aprofundado, vem a primeira bateria de prova: todas as séries no mesmo lugar sendo submetidas à pressão da semana de prova. É uma experiência ótima, a primeira semana de prova. Pela primeira vez você vê os rostos e o perfil de todas as turmas (mesmo assim, em todas as semanas seguintes você encontra alguém que nunca tinha visto). É uma experiência ótima.... Até você receber as notas das provas.
     EU SOU UM LIXO. EU SOU UM LIXO. SOU BURRA. COMO ASSIM? Nota baixa em matemática, em história. Em história! (Não querendo subjugar a matéria. O caso é que eu sempre fui bem em história. Já matemática... Acostumei com a situação.) Marilda  me fez ficar louca com o questionário do filme Narradores de Javé. 
     É aí que começa a crise psicológica. Todos os que estão no coluni anteriormente eram os primeiros da classe em nota. Sempre acostumados a fechar provas sem nem ao menos estudar direito. E isso definitivamente não acontece nesse colégio dos capiroto. Uma nota boa é resultado de atenção em aula e estudo em casa (vulgo BBT).
     É aí que começa o amor verdadeiro: antes e depois das aulas, eu e basicamente todos os outros colegas, ficávamos na biblioteca estudando. Acordar, tomar café no RU, estudar até a hora de almoçar, e ir para a aula. Depois da aula, comer no RU de novo, estudar mais um pouco na BBT e ir pra casa (vulgo dormitório) dormir. 
    Mais semanas de prova, férias, volta às aulas e mais semanas de prova.
    No fim do ano todo mundo já está acostumado com a cara e a personalidade de todos os colegas. 
    Na última semana de prova eu particularmente passei perrengue em matemática (acho que coisa mais natural não há). Pessoas penduradas com a física maluca do Tio Edinho não faltavam. Mas, o pensamento geral era: "Como assim? Já estamos no final do ano? Passou tão rápido. Dessa forma os três ano aqui passarão como um flesh."
    E assim fomos para as primeiras relaxantes férias de verão.

Coluni, a psicose: relembrando.

     O começo desse blog foi motivado, basicamente, pelo desejo desesperado de escrever sobre a minha experiência de aprovação no CAP-COLUNI UFV. 
     É... Passaram-se três anos. Três anos. Essas novas postagens, falarei das minhas experiências nesses três anos de aprendizagem. 
    

Retornando.

     Essa é a verdadeira Sofia: diz que vai começar a postar e, em pouco tempo, esquece o que disse. Mas, agora, vou ver se consigo manter o blog.