Garçom,
por favor
Traga-me
três dedos de um uísque vagabundo e seu pior paieiro
Hoje
quero afundar
Garçom,
volte aqui
O
uísque acabou e o paieiro virou ar
O
que eu faço para isso parar?
Garçom,
mais seis dedos
Uns
três cigarrinhos, por favor
Quase
que senti um estupor
Garçom,
traz o restante da garrafa
E
mais outro maço
Pois
sou apenas um fiasco
Do
que outrora fora um penhasco
Garçom, meu amigo
Deixa
eu te falar
Você
é uma pessoa a se considerar
Garçom,
ei, volte aqui
Deixa
eu te contar
Não
consigo mais criar
Não
consigo mais voar
Não
me deixe, garçom
Da
mesma forma que elas me deixaram
Me
abandonaram
Me
desprezaram
Volte
aqui
Eu
não terminei de falar!
Estás
também a me desprezar?
Não
faça isso, garçom.
Não
imite minhas vagas lembranças
Minhas
vagas esperanças
Das
memórias que insistem em viajar
E
nunca mais voltar.
Este tal texto desesperado veio de um ser chamado Pedro Miranda. Acabo de encontrá-lo desesperado dentro de mim.
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