sábado, 28 de junho de 2014

O que fazer?

O que fazer?
Quando tudo o que vem da penumbra umbrece?
Agarra por sombra e não esmaece?
Liquida, intimida e empobrece?
Desliza, confunde e destece
a teia de conquistas e entristece?

O que fazer?
Quando tudo o que vem da penumbra encurrala?
Tira esperanças de vitória e agarra
das mãos as forças e amarra?
Do sol a luz e escancara
a carranca escondida sob a ilusão da farra?


O que fazer? 

Pensamento

Entremeando as emendas
O pensamento toma conta do ser
Rasga véus
Destrava pilares
Dispara a enchente
Que excede as compotas da razão

E dá lugar à imaginação.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Saudade João

Das fogueiras nas portas das casas
Dos licores da avó
Do munguzá.

Do entrar de casa em casa para algo comer
De pedir bença, um pedaço de bolo e "bença"
De soltar bomba "de um real", sair correndo e esperar o susto geral.

Do calor emanado pelo fogo
Do "Olha pro céu meu amor, veja como ele está lindo (...)"
E sim, ele sempre está lindo.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Aquarela da Exceção

Ah!
Como pudera ser
Aquela noite aquarelada
Exaltada pelo entorpecer
E pelo aconchego do amanhecer

Notoriamente deliciosa
Acarinhada e “felicitosa”
Amplificada pela boemia
Das tardes de alegria
Que qualquer ser se põe a querer

Porém
Mais do que se queria
O horizonte que se abriria
Teima desvanecer

Terminada a melodia
Volta-se para o Dia
Da labuta à agonia

Até que tudo retorne à (in)completa sinfonia.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Sem título.

Jorram os dias na minha esperança
Na minha espera.nça sem fim
Neste mar de capim
De carmim
Alecrim
Mar de mato
Mar de matar o ser
Mar de matar o olhar
O sonhar
O pensar


Ah...

domingo, 5 de janeiro de 2014

Perhaps


O “talvez” é muitas vezes malquisto. Traz angústias, incertezas.
 Quiçá os “talveres” sejam meus mais queridos companheiros.
Um fim incerto aguça os sentidos, aflige a mente, pipoca os miolos.
E o final é uma deliciosa meta, na qual não se sabe se o deleite prevalecerá ou se as lágrimas tentarão imitar uma turbulenta chuva.

                 

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Realidade

  Sentado em sua poltrona Pedro Miranda refletia. Melhor dizendo, se perdia.
  Cada profundo suspiro fazia com que voltasse a sentir seu corpo físico ali, estático.
  Esquecendo-se da respiração, voltava à viagem. Devaneava, de olhos abertos, com o momento em que seus lábios tocavam os da sua amada.

  Ah... Como eram doces os lábios!

  Cada toque era como uma tragada em um vinho doce, forte. A embriaguez lhe vinha de tal forma a libertar seu ser de qualquer impedimento.

      Seus braços envolviam
      Os dedos tamborilavam,
      As pernas se cruzavam,
      Os olhos se fechavam, 
      As bocas se comprimiam, deleitosas. 
      
      Suspirava...

  E novamente via-se puxado ao corpo. Mas por pouco tempo, pois os lábios imaginários procuravam avidamente pelos seus.

  E assim, no mundo das ideias, passava todos os dias Pedro Miranda.

  Esquecendo-se da razão e da realidade.

  Não, não, não. A razão e a realidade, para Pedro Miranda, estavam naqueles inexistentes lábios. Sentir o corpo estático na poltrona era apenas um vil pesadelo – passageiro – que lhe tirava, por alguns instantes, da sua verdadeira morada.