Primeiro ano, entrada no ensino médio.
Comigo foi diferente, já que eu já tinha feito o primeiro antes de ser aprovada no coluni. Lembro bem da roupa que que fui no primeiro dia de aula: uma blusa de caveira (que tenho até hoje), uma calça jeans e bota All Star Skull Piercing.
Olhar para a expressão dos meus colegas era o mesmo que olhar para a minha própria expressão: deslocamento. Ninguém conhecia ninguém. Ninguém sabia quem era ninguém. Se era legal, se era chato, se era inteligente, se era interessante... Ninguém fazia a mínima ideia de nada.
Mas o entrosamento logo acontece: todo mundo começa a contar as histórias de vida da sua cidade, da antiga escola. Pouco a pouco os grupos de interesse vão se formando. Grupos de interesse e amigos que levaremos para a vida toda, diga-se de passagem.
Depois de começar a se acostumar com as aulas cheias de conteúdo aprofundado, vem a primeira bateria de prova: todas as séries no mesmo lugar sendo submetidas à pressão da semana de prova. É uma experiência ótima, a primeira semana de prova. Pela primeira vez você vê os rostos e o perfil de todas as turmas (mesmo assim, em todas as semanas seguintes você encontra alguém que nunca tinha visto). É uma experiência ótima.... Até você receber as notas das provas.
EU SOU UM LIXO. EU SOU UM LIXO. SOU BURRA. COMO ASSIM? Nota baixa em matemática, em história. Em história! (Não querendo subjugar a matéria. O caso é que eu sempre fui bem em história. Já matemática... Acostumei com a situação.) Marilda me fez ficar louca com o questionário do filme Narradores de Javé.
É aí que começa a crise psicológica. Todos os que estão no coluni anteriormente eram os primeiros da classe em nota. Sempre acostumados a fechar provas sem nem ao menos estudar direito. E isso definitivamente não acontece nesse colégio dos capiroto. Uma nota boa é resultado de atenção em aula e estudo em casa (vulgo BBT).
É aí que começa o amor verdadeiro: antes e depois das aulas, eu e basicamente todos os outros colegas, ficávamos na biblioteca estudando. Acordar, tomar café no RU, estudar até a hora de almoçar, e ir para a aula. Depois da aula, comer no RU de novo, estudar mais um pouco na BBT e ir pra casa (vulgo dormitório) dormir.
Mais semanas de prova, férias, volta às aulas e mais semanas de prova.
No fim do ano todo mundo já está acostumado com a cara e a personalidade de todos os colegas.
Na última semana de prova eu particularmente passei perrengue em matemática (acho que coisa mais natural não há). Pessoas penduradas com a física maluca do Tio Edinho não faltavam. Mas, o pensamento geral era: "Como assim? Já estamos no final do ano? Passou tão rápido. Dessa forma os três ano aqui passarão como um flesh."
E assim fomos para as primeiras relaxantes férias de verão.
Nenhum comentário:
Postar um comentário